Dieese lança calculadora para trabalhador simular perdas com o desmonte da Previdência

Dieese lança calculadora para trabalhador simular perdas com o desmonte da Previdência

Quanto tempo você deve trabalhar para se aposentar com valor integral? Quanto tempo você deverá trabalhar caso o desmonte da Previdência de Bolsonaro  (PSL) seja aprovado? Quanto falta para atingir a idade mínima ou qual seria o tempo mínimo de contribuição? Foi com o objetivo de responder essas questões, cruciais para a vida de todos os trabalhadores brasileiros, que o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) desenvolveu a calculadora da aposentadoria. 

"Qualquer trabalhador pode acessar o endereço eletrônico na internet (www.dieese.org.br) e fazer a consulta para saber o quanto será penalizado caso o Congresso aprove a tal reforma", observou a economista do Dieese, Jackeline Natal. A ferramenta permite que o trabalhador faça simulações e compare o resultado dos cálculos segundo a lei atual da Previdência e a partir das novas regras da proposta (PEC 06/2019).

Caso o desmonte seja aprovado, todos os brasileiros serão prejudicados. Os atuais trabalhadores, seus filhos e netos, e as gerações que se seguirão a eles. Grande parte não se aposentará. Outros se aposentarão, mas receberão uma renda tão pequena que não conseguirão sobreviver. Terão que retornar ao mercado de trabalho, isso se conseguirem emprego, ou viver na miséria.  Outros terão que optar pelo sistema de Capitalização. Ou seja, uma aposentadoria privada em que o dinheiro ficará nas mãos dos banqueiros, sem garantia de retorno. 

Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com a reforma, 47,3% das mulheres não vão conseguir se aposentar. Para os homens, esse percentual será de 30%. 

Na zona rural, a situação será quase que de calamidade. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Contag), 90% dos agricultores familiares não se aposentarão com a ‘Nova Previdência’ e terão que trabalhar até a morte. As novas regras irão contribuir decisivamente para expulsar as pessoas da atividade do campo, o que pode comprometer a segurança alimentar do país. Isso porque 70% dos alimentos que chegam às mesas dos brasileiros são provenientes da agricultura familiar. 

O inchaço das cidades, com o pessoal do campo, irá gerar ainda mais violência. A tendência natural é a de que os desamparados e seus parentes migrem para as grandes cidades, onde também não terão meio de subsistência devido aos altos índices de desemprego. Com isso, a violência aumentará em todo o Brasil, atingindo a todos.